segunda-feira, 28 de setembro de 2009
em minhas veias
Por que você insiste?
Eu era fantasia apenas.
Criei um pseudônimo.
Mas você me despiu.
Não me arrancou as roupas.
Tirou-me a máscara!
Podia ter se limitado a saber do meu cheiro,
da habilidade da minha língua,
da cor ciano da minha íris.
Mas quis saber também meu nome e tipo sanguíneo.
Não o tenho nas veias!
Por que você tenta me humanizar?
Deixa eu fingir que não tenho um coração.
Deixa eu brincar de ser feliz.
Deixa eu imaginar que meu corpo lhe basta.
Um vampiro já me sugou tudo que eu tinha de AB.
E no meu coração agora corre vinho.
Deixa eu lhe embriagar!
Choro
Lacrimejo
Sinto meus olhos úmidos quando tenho um orgasmo.
Sinto minha vulva intumescida
Como se jorrasse algum líquido durante meu êxtase.
E melando-me
melancolicamente
Choro meu prazer solitário!
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
kct
de ver-te e sorver-te!
Devo tocar-me com gelo e
esquecer-te!
Mais uma noite sem ter-me
e me ter-te!
Kd tu, oh kct?!
Fim do dia
Ao discorrer a mão sobre a cabeça,
já repousada, amortecendo-se depois do ato.
Sente que se consumou mais um dia bem gozado.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Sabe e Sobe

Sobre 9ª. Sinfonia de Beethoven?
Poesia?
Jean Paul-Sartre?
Tudo!
Sabe tudo que importa saber.
Importa-me é que sobre mim você sobe tudo!
Sabe tudo!
E sobe...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Banana
Descascada.
Friccionou a fruta curva e rija sobre seu clitóris.
Desejando saber todo seu tamanho pos a fruta na ponta da língua e foi sugando lentamente para dentro da sua boca.
Dentro e fora.
Entre a língua e o céu da boca.
Dentro e fora.
Lambendo ensandecida de desejo, num movimento brusco e rápido,
Puxo-a para fora.
E intrometeu-a, inteira, na vagina.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.
de Marina Colasanti
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Trégua
Hoje estou velha como quero ficar.
Sem nenhuma estridência.
Dei os desejos todos por memória e rasa xícara de chá.
(Adélia Prado)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Pinduricalho
mole, balança
parece um pinduricalho
e se a gente brinca com o tal...
Pin
Duro
Calho
! ! !
Pinto
Duro
Caralho!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Insisto
Vou serrar os pulsos
Cerrar os olhos
Vou chutar o balde
Chupar de barde
Vou morder minha bunda
Sorver corcunda
Desisto.
Na porta
Nem sei como lhe escrever.
Costumo escrever tanto.
Desta vez fogem-me as palavras.
Então, devo organizar meu pensamento.
O que eu quero lhe dizer?
Por que eu quero lhe dizer?
Eu preciso lhe dizer?
Como lhe dizer?
Dizer o quê, porra?!
Não há nada pra dizer.
Tudo eu já disse, já escrevi.
Você nunca me ouve, nunca lê meus recados.
Você saiu e deixou a porta aberta.
Estou batendo a porta.
Está ouvindo agora?
Este barulho de porta batendo?
Eu fechei a porra da porta que você deixou aberta!
Quando você voltar,
Não estou.
Na porta,
Fixado com uma fita preta,
Deixo-lhe escrito esse recado.
Logo abaixo, na soleira da porta, sobre o capacho,
Deixo-lhe uma garrafa de Bordeaux com outro bilhete:
“Nunca deixe de apreciar um bom vinho
com uma mulher com a qual você aprecia um bom sexo.
Senão ela pode deixar de apreciar você.”
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Entorpecida
Gosto de uma taça de vinho antes de dormir. Apropriado numa noite de inverno.
Outra noite eu abri uma garrafa de malbec e acabei me excedendo, tomei três generosos copos. E exagerei ainda mais nas palavras com você.
Você tem ocupado meus pensamentos! E não sob o efeito, mas sob a desculpa de estar entorpecida, eu compartilhei com você esses meus pensamentos embriagados. Não o vinho, mas você me deixa assim... embebida da vontade que sinto de você.
Como ficamos vulneráveis quando deixamos que o cheiro do outro, o gosto do outro, a mão do outro nos entorpeça. Confundam nossas ideias, perturbem nosso sono, desequilibrem nossos sentidos...
Mas também é bom adormecer assim... com as lembranças que tenho de você afagando meus pensamentos até o sono chegar...me
entorpecendo...
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Silêncio
Nenhuma palavra.
Sem resposta tua aos meus apelos.
Apenas silêncio.
Eu te imagino um voyeur.
Na expectativa.
Lendo meus textos.
Sabendo meus segredos.
Espiando minha intimidade.
Sem dizer uma só palavra.
Até onde eu vou?
Enquanto eu souber que desperto os teus sentidos
Que teu sangue incha e enrijece teu membro.
Não vou parar.
Não há até aqui nenhuma manifestação tua.
Nenhum indício de reprovação.
Nenhum pedido para que eu pare.
Teu silêncio me instiga.
Consente-me a prosseguir.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Boca Inglesa
Ele estava sozinho. Bebia uma cerveja escura. Do outro lado ele avistou uma garota. Ela tinha cabelos longos que quase cobriam uma enorme tatuagem nas costas de pele alva, olhos bem contornados de preto e uma boca carnuda pintada de vermelho carmim. Ela conversava com outra garota, um tipo meio estranho que usava camiseta preta, uma curta saia de vinil e botas de cano longo.
A garota de boca carmim percebeu que ele as observava. Como se quisesse provocá-lo puxou a garota contra si e suas línguas tocaram-se. Elas lambiam-se, mordiscavam-se mais que propriamente se beijavam.
Ele aproximou-se, passou bem perto delas e continuou andando.
Ela interrompeu o beijo. E com a boca borrada de vermelho, ela o seguiu. Passaram por entre as muitas pessoas que disputavam um mesmo lugar naquele pequeno espaço. Ele andava na frente. Conduziu-a por um corredor estreito e vazio, quase um labirinto que os levou a uma saleta isolada e ainda mais escura.
Ali, ele abriu a braguilha. Sem nada enxergar, ela esbarrou nele. Então ele a pegou firme e a pôs de joelhos na sua frente. E com a força das mãos puxou-a pelos cabelos e aproximou de seu membro duro aquela boca molhada de saliva de outra garota.
Ela sugou todo o membro. Sentia a glande tocar-lhe a garganta. E como se ordenhasse aquele membro, sentia alimentando-se daquele pau.
Antes que ele gozasse. Ela parou. Sem ele ter tempo de reclamar, ele sentiu-se novamente chupado, por uma boca que parecia ainda mais babada e faminta. Percebendo que era outra boca que o chupava agora, gozou. Ele a segurou, forçando aquela boca a sentir todo seu líquido.
Para que ele pudesse ver, elas acenderam a luz de um isqueiro. Então ele olhou atentamente. Uma depositou todo esperma, ainda quente, na boca da outra.
Bom dia!
Masturbei-me pensando em você. Nesta deliciosa manhã.
Bom dia!
Íris Ciano
Íris:
Diafragma
Circunferência azul
Dilata-se
Ora se expande e ora contrai
Recolhe-se e consente espaço abundante para o
penetrar da luz na pupila, antes negra, agora
iluminada.
É uma cor só encontrada entre o celeste que se
funde com o marinho na linha do horizonte.
Céu e mar num mesmo azul:
Ciano.
No meu olho: Íris Ciano
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Sapo

Sapo I
Tanta chuva...
Tanto brejo...
Tanto beijo...
Mais um sapo que vejo!
(Olha o mofo e o limo me inspirando!)
Sapo II
Tanta chuva...
Tanto brejo...
...mais um pouco eu viro e sapo e fico a espera do teu beijo!
(eu e meus versos mofos)
GRAO
Pensamentos molhados
Tudo se evade.
Não consigo conter.
E meus pensamentos vão se esparramar e molhar outras idéias,
até então secas.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Deus
NOTIFICO: sou agora uma mulher de Deus!
de Bacus, Deus do vinho, como Dionísio!
E por Ele me entorpeço com vinho antes de dormir,
como quem reza,
pra sonhar com bacanal!
7 velas
Ali, ontem à noite, usando apenas um chambre de cetim, acendi alguns incensos e velas para perfumar e iluminar o ambiente. Escolhi ainda uma música calma e dispus as velas no chão, numa circunferência ao meu redor.
Então, despi-me. Deitei no centro. Lubrifiquei-me com gel íntimo. Abri bem as pernas e enfiei lentamente aquilo que tinha a anatomia de um pênis ereto.
Os movimentos giratórios do aparelho ajudavam a estimular as paredes internas da minha vagina. E na base do tal objeto havia uma lingueta que fazia vibrações diretamente no meu clitóris. Com os dedos eu apertava os botões que comandavam vibrações mais intensas ou mais pulsantes.
Para me estimular ainda mais, comecei a imaginar que sete homens estavam me observando.
Todos me olhavam atentamente. Protegida pelas velas que ardiam em minha volta, nenhum deles poderia ultrapassar esse limite e me tocar. Eles podiam apenas me ver. Isso os excitava ainda mais.
As velas no chão não iluminavam seus rostos. Mas em qualquer direção que eu olhasse, eu conseguia vê-los de pé, com os membros tesos.
Eu estava realmente entre as almofadas, masturbando-me com os olhos fechados, imaginando sensualmente todo o tesão daqueles sete homens por mim.
Aumentei as vibrações para o máximo.
Quanto mais eu os imaginava me espionando, mais eu me excitava.
Então, como em ondas de prazer, senti algo que parecia ser o começo de um orgasmo. Meus dedos se dobravam involuntariamente. Minhas pernas se contorciam. Nas extremidades eu sentia dormência. E uma corrente de alta tensão parecia passar por todo meu corpo, escaneando-me.
De repente, senti algo arrebatador. Certamente era um orgasmo muito intenso. Pelo canal da minha uretra verteu-se um líquido, uma ejaculação feminina.
Permaneci, ali, nua. Desliguei. Retirei-o de entre minhas pernas. Continuei sentindo as sensações do êxtase.
O cheiro de incenso encobria o odor de sêmen que eu imaginava inalar naquele quarto. Expelido pelo pênis, de seis, dos homens que desejavam ter me penetrado.
Um homem violou o círculo de fogo. Lambeu todo meu sexo e depois me beijou a boca. Abraçou-me contra seu corpo e, sem me penetrar, gozou. Ejaculou entre as minhas coxas.
Estremeci de tanto prazer. Adormeci. Amanheci só.
Então, resolvi lhe escrever este conto.
Fome
Meu cabelo longo, num castanho claro natural, ainda sem fios brancos, estava bem escovado e solto. Minha pele clara contrastava com as cores quentes do vestido.
Era uma noite quente e úmida. Subtropical. Ele havia marcado para me apanhar às 21h. Costumava ser pontual. Então, apressei-me na maquiagem.
Meus olhos ficaram mais evidentes e azuis quando os contornei com um lápis bem preto. Na boca, apenas um brilho feito com gloss.
Não abusei no perfume, mas usei meu preferido de Calvin Klein.
Ele chegou. Entrei no carro. Não nos beijamos. Não nos falamos.
Ele estava zangado. Eu também.
Seria apenas um encontro rápido. Devolver objetos que um emprestou ao outro. Neruda, Garcia Marquez, Diego Torres, Maria Rita, Papillon...
Próximo a rua dos bons restaurantes da zona Sul ele finalmente falou. Perguntou-me se eu estava com ou sem. Minha respiração mudou. Estremeci. Ele não queria saber se eu estava com ou sem fome.
Parado no semáforo ele refez a pergunta: “Então...?”
Esperei. Sinal verde. “Sem”, respondi com uma voz rouca que denunciava minha inquietação.
Ele deu a partida. Virou à esquerda. Mudou o trajeto.
Seguimos em direção ao seu apartamento. Subimos sob a desculpa de que ele havia esquecido meus livros.
Entramos. Ele trancou a porta sem acender as luzes. Fiquei parada. Não enxergava nada. E ali mesmo ele me segurou contra a parede. O clarão da lua invadiu o ambiente. Pude ver seus olhos firmes olhando dentro dos meus enquanto ele erguia vorazmente meu vestido. Deslizou seu dedo grosso entre os sulcos de minha vagina. Sem calcinha. Molhadinha. Virou-me de costas. Abriu a braguilha. Sem pedir licença, certo de que meu corpo inteiro consentia, meteu todo seu membro duro. Sem culpa nem desculpa. Zangão.
Fenestra (*)
O parapeito, curiosamente, está à altura de seus joelhos e estende-se, subindo, encerrando-se na altura de seu umbigo.
Apenas sob este ângulo ela pode espiar o mundo.
Seu universo íntimo é extremamente feminino.
Do lado externo àquela fresta a masculinidade impera, sendo todos do sexo oposto.
Não propriamente uma cortina, mas algo lhe tampa. Atrapalha e perturba a visão dos que de fora ousam, em riste, espionar. Raras vezes é tecido de algodão, bege, um bocado insossa e opaca. Outras vezes é sutilmente uma renda preta, quase tão minúscula que pouco lhe ofusca. Contudo, ela prefere a leveza do voal, transparente. Algo que lhe permite espionar o mundo tanto quanto é, ardentemente, observada por ele.
Às vezes, quente, ela descortina-se. Sem pudores. Exibe-se de frente e verso sem qualquer pano. Impaciente. Atenta aos movimentos opostos, do lado de fora. Eles, oponentes, erguem-se todos para vê-la no interior daquela janelinha, sem nenhum tecido a cobri-la.
É este pequeno pedaço de corpo que ela usa para perceber o mundo a sua volta. De tanto deslocar-se, doida, de um lado ao outro, cheia de desejos lascivos, tem ideias. Imagina coisas. Deseja experimentar este mundo externo, tão duro e adverso.
E suas coxas roliças pensam-se braços fortes que podem acolher e envolver tudo que observa. Então, ela deixa sua condição de ser só e vazia. Defenestra-se. Lança-se ao mundo por esta pequena e estreita passagem.
E como se quisesse saber o gosto do oponente, sua boca, entre as pernas, umedece. E seus grandes e pequenos lábios abrem-se num convite para a entrada de tudo que a cerca.
E ela recolhe, em si, o outro. Recebe dentro de si o corpo oposto.
Tudo através de uma pequena fenestra.
(*)fenestra é sinônimo de janela.
Split
Sorver te na ponta,
a vermelha e madura cereja
e dentro,
entre aquilo que,
quando esquenta,
derrete-se:
a banana split!
Café
ah sim! o desejo não precisa ter razãose a tem, nem sempre a conhecemos
o café estava amargo e,
de tão quente,
pelou-me a língua
e pelada sentiu quão forte era.
não me trouxe açúcar
nem pedi.
não desejei refinado torrão.
teu moer
teu meter
meu desejo era ser pilão
sem falso doce provei teu sabor
e teu sabor era de gentil grão.
SOM E FÚRIA
"A vida é só um vulto, um pobre ator, que se pavoneia e choraminga num momento, sobre o palco, e depois não é mais ouvido. É uma fábula, contada por um idiota, cheia de som e de fúria, significando nada".
Frémito do meu corpo...
(Florbela Espanca)
Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
A língua lambe
A língua lambe as pétalas vermelhasda rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
Carlos Drummond de Andrade
Os versos que te fiz

(Florbela Espanca)
Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Comer
Adoro quando você come bem.
Fazendo uso das mãos pra conduzir a boca e degustar,
na língua, aquele pequeno pedaço tão suculento e róseo.
Em partes
Não gosto de você inteiro.
Gosto de você em partes.
Em partes menores,
tuas falanges
E em tua parte maior,
teu falo.
De tuas partes mínimas que,
dominadas,
aderem-se a minha boca
e da tua parte máxima que,
dominante,
intumesci meu sexo.
Das partes maleáveis
que se desenrolam
e daquela parte que,
tesa, alonga-se.
Das tuas partes múltiplas,
superiores
e da tua parte, única,
inferior.
Gosto quando entra em partes.
As pequenas partes que
dedilham para aliciar meu corpo
E, seduzido, não se queixa do
tamanho enorme que o profana.
Mísia
Também uma região na Ásia Menor.
Onde fica?
No planisfério do meu corpo
Ao alcance dos dedos.
Mas não da minha boca.
É preciso de outra língua para se chegar a esse lugar tão íntimo.
Mísia
Não é um ponto de partida ou chegada.
Um caminho intrínseco.
Algo que precisa ser continuamente explorado.
Espécie de passagem secreta.
Ao se transpor esse caminho de êxtase
Nada se esconde.
Algo intenso e enigmático é revelado em
Mísia.
Justificativa
Não estou lhe pedindo favores.
Só lhe fiz uma confissão:
pensando em você, sinto prazer dobrado quando me masturbo.
No mais, só tenho lhe enviado descrições desses momentos íntimos no qual eu me flagro pensando em você.
Não quero nada de você.
Nem que você saiba de onde lhe conheço – a menos que você deseje saber. Mas é de um tempo tão distante, de um tempo em que você me olhava sob lentes de óculos. De um tempo que, eu sei, você me desejou intensamente.
Passado tanto tempo, um tempo do qual você nem se lembra mais, deixe que eu lhe conte meus desejos e meus delírios nesse tempo presente, embora virtual.
Não posso, não devo, não vou lhe tocar a carne... mas gosto de me imaginar nestes instantes...
Enquanto você lê este email.
Enquanto lhe escrevo contraindo minha vagina, pulsante entre minhas pernas cruzadas.
...Gosto de me fantasiar abrindo sua braguilha e intrometendo-lhe minha mão para sentir seu pênis rijo, teso...
Adoraria saber que seu pênis assim o está pra mim, duro.
Justo?
O bastão
Calor. Usei hoje um vestido e, sem calcinha, senti o roçar dos pêlos enquanto eu caminhava sob o sol escaldante.
Algo caiu no chão.
Agachei-me para apanhar. Esse movimento – de flexionar os joelhos deixando minhas nádegas bem próximas dos calcanhares – me fez sentir a vagina abrir-se despudoradamente.
Numa atitude impensada, num reflexo do meu desejo, passei-lhe a ponta dos dedos.
Você deveria ter visto meu morder de lábios ao tocar e sentir minha vulva tão úmida. Ali, no meio da calçada, agachada e molhada.
Peguei o objeto. Os dedos ainda úmidos do sexo lubrificavam e deixavam-no deslizante. Fechei-o firme na palma da minha mão.
Levantei.
Me recompus.
A cada passo, sentia o roçar molhado entre as minhas coxas. E na mão eu apertava ardentemente aquele bastão.
Malbec Argentino
Era quase 9h da noite. Cheguei em casa exausta.
Me servi de Malbec argentino.Sozinha, o vinho me parece uma companhia revigorante.
Um primeiro gole, um segundo e repousei a taça no criado mudo.
Me despi e fui ao banho.
Ainda nua e úmida, depois de muita espuma no banho,
voltei a cama e apanhei o vinho.
Levemente entorpedecida, deitei-me sobre o lençol e travesseiros.
Mergulhei meus dedos no copo para sentir o líquido e depois bebi tudo num último gole.
Meus lábios brincavam na borda da taça que ainda exalava
o cheiro da uva.
Olfato e paladar disputavam aquele prazer enquanto meus dedos



